O primeiro passo para viver com propósito
Reportagem: Hulda Rode
Em um mundo dinâmico e cheio de distrações, buscar um significado para a vida pode parecer algo muito distante — no entanto, isso é, de fato, uma necessidade fundamental. Esta reportagem surge da decisão de criar um espaço para uma discussão importante: a busca pelo propósito de vida, pelo destino e pelas motivações que realmente impulsionam nossa jornada. Conversamos com especialistas com o intuito de orientar e inspirar leitores que ainda não descobriram seu chamado, mas que sentem o anseio de viver de forma mais significativa, direcionada e contributiva. Pois, ao abraçarmos uma causa que vibra em nosso interior, começamos a trilhar o caminho com mais clareza e coragem em direção ao que estamos destinados a ser.
Esta reportagem é um convite para que nossa audiência reserve um tempo para si mesma. Aqui, você pode pausar, meditar e aproveitar um café com calma, pois a intenção é inspirá-lo a explorar o vasto projeto que é a sua vida ou a causa que você deseja abraçar.
Um dos autores que admiro no campo do desenvolvimento pessoal é Tiago Brunet. Em seu livro Descubra seu destino: as chaves que abrem as portas para o seu destino, ele expressa uma ideia de que o “destino não é resultado de sorte ou acaso, mas sim consequência de escolhas conscientes”. Ele relaciona a busca por identidade e propósito à construção de um futuro que esteja em harmonia com a vontade divina e à busca pela realização pessoal. Para ele, o destino é uma combinação de coerência, tempo e propósito. E para aqueles que ainda estão incertos sobre seu destino, como podemos encontrá-lo? “O futuro pode ser revelado por meio de contextos, ambientes estratégicos, experiências e relacionamentos”, defende Brunet.
Na percepção da escritora e psicóloga, Luciana Barbosa, em seu livro O que você quer de verdade?, ela traz reflexões profundas sobre como construir uma jornada de vida próspera, significativa e feliz, mesmo diante das mudanças de rotas que surgem pelo caminho.

“Ao longo dos meus 53 anos, me fiz muitas vezes esta pergunta: O que eu quero de verdade? Hoje percebo que poucas pessoas fazem essa pergunta. Como viver uma vida alinhada com quem somos e o que viemos criar por aqui, se não fazemos pausas para olhar para dentro e nos perguntar? E se o nosso verdadeiro propósito fosse ser feliz? Como seria o mundo se cada um acessasse sua paz interna, aquela que não depende do externo, mas nasce do encontro consigo mesmo? Talvez a vida fosse mais leve, mais criativa, mais significativa. Talvez, finalmente, estivéssemos vivendo — e não apenas existindo.”
Para responder o xis da questão, o desafio não é fácil e nem pequeno, pois envolve a nossa responsabilidade em relação à vida. “Em meio ao turbilhão da vida, fazer uma pausa e olhar para dentro é um ato de coragem. É nesse silêncio que brotam perguntas que, muitas vezes, esquecemos de fazer: O que me traz paz? O que verdadeiramente me move? Só quando nos conhecemos de verdade é que conseguimos reconhecer o que tem significado real — e não o que nos ensinaram a desejar. É nesse encontro com a nossa essência que surgem respostas que nenhuma correria externa pode nos oferecer. O que você ama criar que gera valor para o mundo? O que faz o seu coração cantar de verdade? A vida se transforma quando nossas escolhas refletem quem realmente somos. Então, me diz: o que você quer de verdade?”, questiona a escritora.
Aprenda a servir
Outro mecanismo de ressignificação e transformação coletiva é a atuação em atividades ligadas em organizações da sociedade civil, ajudas humanitárias e projetos missionários.
Na visão de Leandro Machado, sócio-fundador da CAUSE e autor do livro Como defender sua causa: Potencialize seu impacto com pensamento estratégico, o propósito de vida não é um chamado, mas uma construção.
“Não creio em um propósito fixo, determinado, imutável. Mas acredito profundamente na ideia de que viver com propósito é viver de forma mais plena, mais conectada com o mundo ao redor e com as nossas capacidades de transformação. E isso vale tanto para indivíduos quanto para organizações. No fundo, essa é uma pergunta que nos acompanha desde sempre. A filosofia começa com o espanto — e segue com perguntas como “por que estou aqui?”, “o que devo fazer com minha vida?”, “como posso contribuir para algo maior do que eu?”. Não por acaso, essas são também as perguntas que alimentam quem atua por causas”, explica.
O especialista alerta para o cuidado com o modismo, especialmente no momento contemporâneo de o impacto social está em alta. “Em tempos de crise climática, desigualdade e transformações aceleradas, as pessoas buscam sentido. E encontram esse sentido nas causas. O que antes era nicho, hoje é movimento. Marcas, governos, cidadãos, todos estão sendo chamados a tomar posição. O risco é confundir causa com tendência. Por isso, mais do que nunca, precisamos de autenticidade, consistência e estratégia”, destaca Leandro Machado.

O missionário e gestor de projetos sociais no Oeste da África, no Senegal, Carlinhos Senegal, comenta que na jornada da vida muita gente já se realizou profissionalmente, fez todos os cursos superiores desejados, constituiu família ou não, mas já conseguiu realizar os seus sonhos materiais, e nesse momento está em busca de um propósito, de algo que faça sentido para a sua vida.
“Nós somos direcionados a fazer determinadas coisas através das nossas vivências, das nossas experiências, sejam elas boas, sejam elas ruins, porém o ser humano ele chega em algum lugar e ao chegar em algum lugar ele faz uma reflexão, então o mais importante é você não ser movido pelas emoções, para fazer algo pelo outro, porque se você dá ao outro aquilo que você gostaria de receber, porque você passou, porque você fez o caminho, você tem que entender que pessoas são diferentes e você pode ter que lidar com a frustração do outro, nem querer a sua fórmula mágica”.
A palavra que mudou a trajetória de vida de Carlinhos Senegal foi compreender o significado de alteridade. Em sua percepção, alteridade é dar ao outro, o que de fato ele necessita. Então é muito importante nesse processo que você está vivendo de querer servir a comunidade, fazer uma pergunta muito simples: O que queres que eu te faça?.
“É uma pergunta de uma pessoa que me inspira muito, chamada Jesus. Jesus esteve em Jericó e ele ouviu um homem gritando, um homem que não enxergava. E Jesus era alguém que curava pessoas e ele ouviu esse homem gritar e ele chama e ele olha para esse homem e lhe diz: O que queres que eu te faça? A princípio o homem era cego e talvez qualquer pessoa comum diria: ele quer ver logicamente. Não! Jesus pergunta. Então que nesse momento em que você está vivendo ou querendo viver ou procurar um propósito, é muito importante você saber o que as pessoas de fato precisam, para que você possa servir ou cuidar dessas pessoas, estendendo a mão para elas, olhando nos olhos delas e fazendo com que essas pessoas se sintam especiais e que elas possam, de repente, ser inspirada por vocês. Então nesse momento eu acredito que nós recebemos e se temos mais do que precisamos, temos a obrigação de compartilhar, porque esse mundo é um mundo onde o sol brilha para todos, é um mundo que tem água para todos, é um mundo que tem comida para todos, mas se alguém não tem, é porque alguém tem muito mais do que precisa ter”, explica Senegal.

É isso, caros leitores da revista Escreva. Espero que esta matéria o tenha guiado para um entendimento mais profundo sobre o que realmente importa. A vida é uma jornada repleta de amor, partilhas e generosidade. É um processo de crescimento que acontece por você e para você, mas não se resume apenas a você. O verdadeiro significado se revela através do outro, seu próximo. Se a sua causa ainda não foi descoberta, que você tenha a chance de encontrá-la e contribuir para a nossa humanidade. Há diversas trilhas e horizontes onde podemos nos conectar. Boa viagem!