Alfredo Soares fala a Revista Escreva sobre vendas, marca pessoal, autenticidade, propósito e a nova fase como pai, e revela por que vender deixou de ser “convencer” e passou a ser “servir, conectar e deixar legado”.
Entrevista: Guilherme Vicente de Morais

Ele ajudou a transformar a forma como o Brasil fala sobre vendas, posicionamento e marca pessoal. Empreendedor, escritor e cofundador da G4 Educação, Alfredo Soares defende que todo mundo é uma marca e vende alguma coisa. Em uma conversa franca com a Revista Escreva, ele fala sobre autenticidade na comunicação, construção de comunidade, o vendedor como gerador de impacto e a nova perspectiva que a paternidade trouxe para sua visão de sucesso. Confira!
Editora Escreva: Você costuma dizer que todo mundo é, de alguma forma, um vendedor. O que isso significa na prática, especialmente para quem ainda tem resistência com vendas?
Alfredo Soares: Todo mundo vende alguma coisa — uma ideia, um sonho, um propósito, até um “sim”. Vender é se comunicar com intenção. Quem tem resistência é porque ainda associa venda a empurrar produto. Mas a venda é sobre ajudar o outro a tomar uma decisão que gera valor para ele. Quando você entende isso, a venda deixa de ser “forçar” e passa a ser “servir”. Vender é impacto. É a energia que muda o jogo.
Editora Escreva: Seu livro Todos Somos Uma Marca ajudou a reposicionar o olhar do empreendedor sobre si mesmo. Qual o primeiro passo para alguém construir sua marca pessoal com autenticidade?
Alfredo Soares: O primeiro passo é se conhecer. Antes de pensar em cor, logo ou slogan, você precisa entender o que te move. Marca pessoal é sobre consistência entre o que você acredita, fala e faz. Quando a mensagem é verdadeira, ela conecta. Quando é forçada, o público sente. Ser uma marca é ser lembrado pelo que você entrega de verdade, não pelo que você finge ser.
Editora Escreva: Em tempos de sobrecarga de conteúdo, qual é o maior erro que você vê hoje em quem tenta se posicionar nas redes sociais?
Alfredo Soares: O maior erro é querer ser tudo para todo mundo. Muita gente se preocupa em parecer relevante em vez de ser relevante. O jogo mudou: quem conecta ganha de quem aparece. Então, menos pose, mais propósito. Não poste pra impressionar — poste para transformar. As pessoas não seguem quem fala bonito, seguem quem fala verdade.
Editora Escreva: Muita gente empreende, mas não sabe comunicar. Como alinhar produto, proposta de valor e narrativa de marca de forma clara e atrativa?
Alfredo Soares: Tudo começa entendendo o problema que você resolve. A partir daí, a comunicação precisa traduzir isso de forma simples. Produto é o “o que”, proposta é o “por quê”, e a narrativa é o “como”. Quando esses três se alinham, você cria uma história que o cliente quer fazer parte. O cliente não compra o produto, compra o que ele significa.
Editora Escreva: Você fala muito sobre ecossistema de vendas. O que um bom vendedor precisa entender além do produto que vende?
Alfredo Soares: Venda é o resultado de um ecossistema — não de um discurso. O vendedor precisa entender canal, jornada, experiência, retenção e pós-venda. Precisa dominar dados, mas sem esquecer de gente. O bom vendedor entende o negócio como um todo e sabe que ele é uma peça estratégica. Não é sobre “fechar venda”, é sobre abrir relacionamento.
Editora Escreva: Na sua visão, o que mudou nas estratégias de vendas e posicionamento nos últimos dois anos, especialmente com o uso mais massivo da inteligência artificial?
Alfredo Soares: A IA acelerou o jogo da produtividade, mas também escancarou o valor do humano. A tecnologia escreve, calcula e otimiza, mas só o ser humano sente, cria e inspira. O diferencial agora é a autenticidade. A IA virou o “como”, mas o “por quê” continua sendo humano. Quem souber usar a máquina para amplificar a alma vai sair na frente.
Editora Escreva: Quais os pilares que sustentam um negócio de longo prazo hoje — além do faturamento?
Alfredo Soares: Faturamento é vaidade se não tiver base. Os pilares são marca, comunidade e cultura. Marca te faz lembrado, comunidade te faz relevante, e cultura te faz resiliente. Negócios que duram são aqueles que crescem sem perder propósito. O lucro é consequência de uma empresa que entrega valor e vive o que fala.
A paternidade ressignificou tudo. Sucesso agora não é só resultado é legado, presença e o mundo que deixo para a Antônia.
Editora Escreva: Sua filha Antônia nasceu recentemente, e você tem falado mais sobre família. O que mudou na sua rotina e no seu jeito de empreender depois da paternidade?
Alfredo Soares: Mudou tudo. A chegada da Antônia me trouxe uma nova régua de prioridade. Antes eu pensava em resultados; agora eu penso em legado. Ser pai me ensinou que tempo é o ativo mais escasso e valioso que existe. A rotina ficou mais corrida, mas o propósito ficou mais claro: construir um mundo melhor para ela viver.
Editora Escreva: Conciliar performance com presença (como pai, marido, líder) é um desafio para muitos empreendedores. O que você tem aprendido nesse processo?
Alfredo Soares: Aprendi que não existe equilíbrio perfeito — existe presença real. Quando estou com minha família, estou por inteiro. Quando estou no trabalho, foco total. O segredo é intensidade com propósito. A performance que mais importa é a que te deixa em paz com quem você é quando desliga o celular.
“Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é sinal de inteligência.”
Editora Escreva: Qual foi o erro mais valioso da sua trajetória até aqui? E o que ele te ensinou?
Alfredo Soares: O erro mais valioso foi achar que precisava fazer tudo sozinho. Eu era aquele cara que queria controlar tudo. Aprendi que ninguém cresce sem time, sem mentores e sem vulnerabilidade. O erro me ensinou que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é sinal de inteligência. Hoje, eu cresço muito mais compartilhando do que centralizando.
Editora Escreva: Para quem está começando do zero hoje, qual é o conselho que você daria sobre construir uma presença relevante e confiável?
Alfredo Soares: Comece pequeno, mas comece verdadeiro. Fale do que você vive, não do que você leu. Mostre o bastidor, o aprendizado, o corre. Confiança é construída na coerência, não no discurso. Ninguém confia em quem nunca erra, confia em quem mostra que aprendeu. O segredo é constância com verdade.
Editora Escreva: O que o Alfredo Soares de hoje diria para o Alfredo do primeiro negócio?
Alfredo Soares: Diria: “Calma, irmão. O jogo é longo.” Não é sobre acertar tudo, é sobre não parar de aprender. Diria também: “Cuida das pessoas e da sua energia, porque é isso que te leva mais longe do que qualquer planilha.” No fim, vender, empreender e viver são a mesma coisa: um jogo de propósito, gente e evolução constante.
“Vender é servir. Todo mundo vende alguma coisa, uma ideia, um sonho, um propósito. Quando a comunicação é verdadeira, ela transforma.”