Autora: Keli Rodrigues
Quero compartilhar uma reflexão que um empresário me trouxe semanas atrás, numa reunião de alinhamento para adequação da NR-1. Estávamos falando dos riscos psicossociais e ele me relatou que houve um tempo em que o maior problema de absenteísmo na empresa era o uso de álcool e problemas de relacionamento entre seus funcionários. Mas… hoje em dia, o problema que tem tirado o sono dele é o vício nas telas, principalmente nos jogos online.
A verdade é que os jogos online (e as redes sociais não são diferentes) oferecem uma fuga rápida, uma sensação de conquista e descontração, mas também podem se transformar em uma armadilha. Quando essa distração vira rotina, o impacto financeiro não demora a aparecer. Seja pelo tempo perdido, pela queda na qualidade do trabalho ou até pela insatisfação do cliente, a conta acaba chegando e o custo pode ser bem maior do que imaginamos.
Busquei mais referências que não fossem apenas as minhas e as desse empresário mencionado no início, e descobri que outros empresários enfrentam o mesmo dilema. O desejo de “finalmente mudar de vida”, vendido nos jogos, acaba se tornando vício e toma a atenção dos funcionários. A cada 40.353.607 giros no caça-níqueis Fortune Tiger — conhecido popularmente como “Jogo do Tigrinho” — um jogador, em média, ganha o “jackpot” (prêmio máximo) de 2,5 mil vezes o valor apostado (fonte: Zero Hora, 4/6/2025).
Confesso que, em certos momentos, eu mesma sinto vontade de tirar uma pausa, de escapar um pouco da rotina — quem nunca, né? E, muitas vezes, no automático, vou para os reels do Instagram, e em outro momento até jogava Candy Crush. No começo, parece inofensivo, uma pequena distração. Mas, com o tempo, percebi que esses momentos podiam estar afetando minha concentração, minha produtividade (até que tive que desinstalar, pois começou a consumir muito das minhas horas vagas). E, claro, tenho certeza de que isso também acontece com muitas equipes por aí.
Para mim, essa é uma reflexão constante: como usar a tecnologia, incluindo os jogos, de forma inteligente, sem deixar que ela nos controle? Porque, no fundo, nosso maior ativo são as pessoas, e o valor delas está justamente na motivação, na atenção plena e na dedicação ao que fazem.
Vamos conversar mais sobre isso? Como você tem lidado com esses momentos na sua equipe? Quais estratégias têm funcionado para você?

Keli Rodrigues é neuropsicóloga, escritora, especialista em inteligência emocional, máster em PNL e ajuda empreendedores e líderes a equilibrarem saúde mental e alta performance. Criadora do método claraMENTE, que traz ferramentas para transformar a relação entre trabalho e bem-estar.