Como promover o empreendedorismo em cidades menores?
Imagem: Reprodução/Internet

Como promover o empreendedorismo em cidades menores?

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Autor: Franklin Yamasake

Quando falamos em transformar economias através do empreendedorismo, muitas vezes caímos na armadilha de querer replicar o Vale do Silício. Porém, criar um ecossistema empreendedor vai muito além de copiar fórmulas prontas. Cada região tem sua própria realidade. O segredo é entender o contexto local e construir um ecossistema que faça sentido para aquela comunidade. Imagine o caso de Ruanda: um país localizado na África Central, devastado pelo genocídio dos anos 90, e que, anos depois, conseguiu impulsionar um forte ecossistema empreendedor focado em café e turismo. Outro exemplo notável é o Chile, que fomentou a atração de empreendedores internacionais, que por sua vez, tendo como objetivo criar uma cultura de inovação global entre os empreendedores locais.

Cada ecossistema é único e deve ser moldado conforme a realidade local. Não adianta querer transformar um ambiente complexo em um novo Vale do Silício sem considerar as particularidades culturais, econômicas e sociais da região. Além disso, envolver o setor privado desde o início é essencial, pois o governo sozinho não consegue manter um ecossistema empreendedor vivo. O setor público tem um importante papel alavancador de negócios, é preciso sondar se eles estão engajados e participativos. Criar políticas específicas para empreendedores de alto crescimento também é uma estratégia necessária, pois tais políticas são bem diferentes daquelas tradicionais para alavancar o empreendedorismo tradicional. Outra lição valiosa é valorizar os primeiros sucessos. Histórias inspiradoras podem impulsionar novas ondas de inovação e atrair mais pessoas para o empreendedorismo.

No Brasil, precisamos enfrentar alguns desafios para realmente criar um ambiente favorável ao empreendedorismo. Isso inclui elaborar políticas que incentivem a cultura empreendedora e reduzam barreiras burocráticas, além de evitar a distribuição isolada de recursos, que muitas vezes promove dependência ao invés de resiliência. Por exemplo, eu já ouvi investidores falarem que tem receio em investir em startups viciadas em sobreviver com recursos públicos, pois isso gera consequencias negativas para o desenvolvimento da startup. O ideal é promover um ambiente competitivo e que exija inovação e eficiência desde o começo.

As lições estão aí, e os exemplos mostram que é possível transformar realidades complexas mesmo em ecossistemas em estágio bem inicial. O que você acha? Como podemos adaptar essas estratégias para o Brasil?

Franklin Yamasake é empresário, doutor em inovação e professor. Fundador da Traciona, uma consultoria especializada no desenvolvimento de ecossistemas de inovação e co-fundador do grupo de investidores-anjo Poli Angels.

Franklin Yamasake é empresário, doutor em inovação e professor. Fundador da Traciona, uma consultoria especializada no desenvolvimento de ecossistemas de inovação e co-fundador do grupo de investidores-anjo Poli Angels. 

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