Autora: Paula Sales
O cuidado com a saúde mental dos trabalhadores deve ser compreendido como uma pauta inegociável e urgente. Em especial no campo da assistência social, onde os profissionais lidam diariamente com contextos de vulnerabilidade, sofrimento e violações de direitos, é preciso reconhecer que o esgotamento emocional não é fragilidade pessoal, mas um alerta coletivo.
Além disso, é importante destacar que muitos desses profissionais também enfrentam, em suas trajetórias pessoais, contextos de vulnerabilidade. Ou seja, quem cuida do outro também carrega suas próprias dores, desafios e limitações. Essa sobreposição entre vida pessoal e prática profissional pode intensificar o desgaste emocional, tornando ainda mais essencial que o cuidado com a saúde mental seja contínuo, estruturado e institucionalizado. É necessário compreender que a escuta do sofrimento alheio frequentemente ativa histórias, memórias e experiências próprias, e que a fronteira entre o cuidar do outro e o cuidar de si é tênue.
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), atualizada pela Portaria nº 6.730/2020, estabelece que todo empregador é responsável por zelar pela segurança e saúde dos trabalhadores, considerando os fatores de risco psicossocial, como estresse, ansiedade, depressão e burnout. Ou seja, garantir um ambiente psicologicamente saudável é um dever legal, ético e institucional.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde mental é um estado de bem-estar em que o indivíduo reconhece suas habilidades, lida com as tensões da vida e contribui para sua comunidade. No entanto, profissionais da linha de frente — como os do SUAS — enfrentam adoecimentos silenciosos, agravados pela ausência de políticas internas de cuidado e prevenção. O Brasil, segundo dados da própria OMS, lidera o ranking de países com maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo e figura entre os cinco países com maior incidência de depressão. Esses dados tornam ainda mais alarmante o impacto do adoecimento mental em setores historicamente sobrecarregados.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) oferece ferramentas importantes para a autorregulação emocional, como a identificação de crenças disfuncionais que perpetuam a auto cobrança extrema e a negligência de si. Já a Psicologia Positiva propõe práticas restaurativas por meio do cultivo de emoções como gratidão, esperança, senso de propósito e fortalecimento das forças pessoais.
Ao promover espaços institucionais que incentivem práticas de autocuidado, escuta e desenvolvimento emocional, não se está apenas prevenindo o adoecimento individual — está-se fortalecendo o compromisso com um serviço público mais ético, empático e eficiente. A negligência com esse tema compromete a qualidade da política pública e amplia as desigualdades.
Investir na saúde mental dos trabalhadores é também cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, especialmente os ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e ODS 10 (Redução das Desigualdades). Cuidar de quem cuida é garantir continuidade, humanização e justiça social no atendimento às famílias.
Na Pazziti Treinamento, acreditamos que ambientes saudáveis são construídos a partir da escuta, da diversidade e da valorização das pessoas. Nossa missão é desenvolver soluções com base técnica e sensibilidade humana, promovendo o bem-estar individual e o impacto social coletivo. Atuamos com formações e estratégias integradas que estimulam a autor responsabilidade, fortalecem vínculos profissionais e tornam o cuidado com a saúde mental parte da cultura organizacional.
Quando organizações decidem cuidar de quem cuida, estão escolhendo não apenas atender a uma norma — estão transformando realidades.

Paula Sales é fundadora da Pazziti Treinamento. É assistente social, gestora pública, empreendedora e palestrante, com mais de 20 anos no terceiro setor, promovendo diversidade e inclusão.