Com três trilhas simultâneas, a Incubadora IDP se consolida como espaço de inovação acadêmica voltado ao mercado
Reportagem: Guilherme Vicente de Morais
Empreender na graduação já foi visto como um movimento paralelo à formação acadêmica. No Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), essa lógica se inverte: o empreendedorismo passou a ser parte integrante da jornada de quem estuda. A prova disso é a Incubadora IDP, que em 2025 entra em seu segundo ano com um programa estruturado em três trilhas – ideação, aceleração e sucessão familiar – e uma proposta clara: transformar ideias em negócios e negócios em legado.
Idealizada para conectar ensino, pesquisa e impacto real, a incubadora oferece mentorias, desafios práticos, eventos com investidores e imersões formativas que vão da estruturação de modelos de negócio ao planejamento sucessório em empresas familiares. “Mais do que uma incubadora de negócios, somos uma incubadora de pessoas”, resume a professora Paula Salomão, coordenadora da iniciativa. Segundo ela, o diferencial está na continuidade: os participantes vivenciam semanalmente atividades práticas, interagem com o ecossistema local e têm acesso a uma trilha de formação empreendedora adaptada à maturidade de cada projeto.

Na trilha de sucessão familiar, por exemplo, a estudante de Economia Maria Luiza Zambonatto vive um processo que mistura afeto e estratégia. Filha da fundadora da Alma Verde, produtora de alimentos orgânicos, ela ingressou no programa para entender como pode assumir responsabilidades na empresa sem abrir mão da inovação. “Nunca vi uma mentoria voltada para sucessores. Aqui, aprendi que o diálogo e a pesquisa são os caminhos para unir tradição e futuro”, afirma.

Já na trilha de ideação, o estudante de Economia Gustavo Godoy criou com dois colegas a Go Bar, empresa especializada em bares inteligentes para eventos. O projeto nasceu de uma necessidade vivida por ele no mercado e ganhou fôlego na incubadora. “O apoio técnico e os feedbacks nos mostraram que o operacional não bastava. Começamos a investir em dados, tecnologia e estruturação do negócio”, conta. Hoje, a empresa já tem parcerias com grandes marcas e atua em eventos de médio e grande porte.
Para o professor Leonardo Freitas, que integra o comitê de incubação do IDP, o programa amplia a formação dos alunos ao desenvolver competências essenciais para o século XXI. “A principal habilidade que buscamos desenvolver é a capacidade de validar problemas reais. Formamos empreendedores que saibam identificar necessidades do mercado, testar soluções e iterar com responsabilidade”, afirma. Segundo ele, a incubadora também tem papel importante na aproximação entre a academia e o setor público. “Estamos em Brasília, e muitos projetos incubados têm potencial para virar GovTechs que solucionam desafios do Estado”.

Essa articulação com o ecossistema externo é uma das marcas do programa. Desde sua criação, a incubadora já promoveu mais de 50 encontros com especialistas, rodadas de negócios, hackathons e visitas a polos de inovação em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Vale do Silício e Nova York. Também firmou parcerias com instituições como Sebrae, BRB Lab, Biotic e Coti, além de envolver professores de diversas áreas do IDP em mentorias e eventos. “Recebemos inscrições de alunos de todos os cursos da graduação, o que mostra que a fronteira empreendedora vai muito além das áreas de negócios e tecnologia”, reforça Paula.
Na avaliação da analista Cláudia Bonifácio, do Sebrae-DF, incubadoras acadêmicas como a do IDP exercem papel estratégico no desenvolvimento das regiões. “Elas aproximam a pesquisa das necessidades reais da sociedade, retêm talentos nos territórios e movimentam a economia criativa. Quando atuam com foco em inclusão e diversidade, o impacto é ainda maior”, afirma. Para ela, a atuação da incubadora pode inspirar políticas públicas mais conectadas com a formação empreendedora desde a graduação.
