Liderança Feminina
Foto: Reprodução/Internet

Ressignificando a liderança feminina

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Colunista: Cassiana Martins

A mulher rompe fluxos históricos no mundo do trabalho ao assumir posições de liderança. Pensando na liderança como uma construção, estamos avançando na quebra de barreiras culturais e desigualdades gradativamente. Para aquelas que ocupam cargos de decisão, cada escolha carrega o peso da representatividade e o desafio de sustentar posições em ambientes ainda marcados por julgamentos e percepções históricas e sociais. Liderar, para nós, é também lidar com interrogações constantes: “Será que vão me ouvir ou me julgar?” Quantas vezes você já foi rotulada? Pois bem, chegou o momento de desmistificar e ressignificar.

As pesquisas em neurociência organizacional consideram que líderes mulheres tendem a ponderar múltiplas perspectivas antes de decidir. Isso se deve, em parte, ao maior desenvolvimento do hipocampo, ligado à memória emocional e contextual, o que não as torna menos racionais, mas sim mais analíticas ao integrarem variáveis emocionais, sociais e lógicas. Sob pressão, ativam regiões cerebrais que equilibram empatia e cálculo, sendo mais cautelosas em decisões de risco, pensando nas consequências e cenários antes de agir.

Esse diferencial feminino está na capacidade de integrar, com clareza, informações emocionais e contextualizar, aliadas ao cuidado, à escuta e a parceria, sendo que estas características favorecem decisões mais sustentáveis. Em um tempo em que o fator humano e a saúde mental se tornaram tendências valorizadas até pelo mercado, essa pode ser uma vantagem estratégica.

A ciência também nos lembra, que da mesma forma que a pessoa não é apenas seu cérebro, mas sua integração com o sujeito – e todas as peculiaridades e singularidades envolvidas no ser – a capacidade plástica de adaptação e aprendizado cerebral são contínuas e dinâmicas, indo além da estrutura biológica e de gênero. Somos sujeitos moldados também por nossa personalidade, ambiente, cultura, história de vida e aprendizados, por isso esses fatores não são determinantes, mas sim possibilidades a serem desenvolvidos para todos.

Ainda há muito a aprender sobre o cérebro e novos estudos surgem a todo momento, alguns convergentes outros divergentes. Contudo, trabalhando com líderes há duas décadas, percebo que essas características da liderança feminina se destacam e tendem a facilitar o desenvolvimento de competências importantes na liderança, muitas vezes talvez não reconhecidas.

Ao compreendermos esses potenciais, ressignificamos nosso posicionamento no mundo: deixando de duvidar e começar ou continuar a se apropriar dessa construção com um olhar amplificado, sobre as próprias habilidades de liderar – a si mesmas e aos outros.

Cassiana Martins

Cassiana Martins

Gaúcha, psicóloga corporativa, diretora da Pono Treinamentos e Desenvolvimento Humano, escritora, palestrante internacional, certificada com selo ODS ILN, desenvolvendo lideranças no Brasil e no mundo. 

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