Um diagnóstico, uma nova profissão, uma nova missão

Há sete anos, uma frase reorganizou a minha vida: “sua filha tem diabetes tipo 1”. De um dia para o outro, precisei aprender aquilo que a faculdade só havia explanado abreviadamente — e descobri que existiam pouquíssimos profissionais com experiência real no assunto. Faltava essa referência, então decidi me tornar uma. Mudei o rumo da minha carreira para cuidar dela e, com o tempo, de muitas outras famílias com a mesma situação.
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Por Fernanda Cirqueira

Foto: João Pedro Eymard

Há sete anos, uma frase reorganizou a minha vida: “sua filha tem diabetes tipo 1”. De um dia para o outro, precisei aprender aquilo que a faculdade só havia explanado abreviadamente — e descobri que existiam pouquíssimos profissionais com experiência real no assunto. Faltava essa referência, então decidi me tornar uma. Mudei o rumo da minha carreira para cuidar dela e, com o tempo, de muitas outras famílias com a mesma situação.

Para cuidar, precisei entender a fundo. O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune: o próprio corpo destrói as células que produzem insulina, o hormônio que leva energia para dentro de cada célula. Convivendo com isso todos os dias, comecei a enxergar uma engrenagem que passa despercebida para quase todo mundo — a mecânica invisível que sustenta a nossa energia.

E é exatamente aqui que a minha história encontra a sua, mesmo que você nunca tenha ouvido falar em glicemia. No caso da minha filha, a insulina simplesmente deixou de existir. No seu, ela provavelmente ainda é produzida — mas pode estar sendo ignorada pelo próprio corpo, um quadro que chamamos de resistência à insulina. Noites mal dormidas, estresse constante e ultraprocessados fazem as células responderem cada vez menos ao hormônio. Some a isso mitocôndrias sobrecarregadas — as usinas que geram energia dentro de cada célula — e você tem a explicação para aquela queda de rendimento das três da tarde, a névoa mental e o cansaço que nenhum café resolve.

São extremos opostos de um mesmo eixo: a energia. A minha filha me ensinou a respeitar a insulina porque ela falta; eu quero te ensinar a respeitá-la antes que comece a faltar.

Energia não é força de vontade, é biologia. E quem empreende, cria e lidera vive vendendo exatamente isso, energia, talvez, sem nunca ter aprendido a cuidar da própria fonte. É sobre essa fonte que pretendo conversar com você, coluna após coluna: com ciência traduzida e escolhas simples que já cabem no seu amanhã, como mudança de pequenos hábitos alimentares que favoreçam a sua resposta glicêmica durante o seu dia-a-dia.

Fernanda Cirqueira é Nutricionista clínica (CRN1-4091), especialista no atendimento a pessoas com diabetes tipo 1 e 2. Atua com foco em nutrição funcional, esportiva, materno-infantil e gastroenterologia, oferecendo acompanhamento integral e individualizado para promover saúde e qualidade de vida.

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