Vozes que transformam: mulheres e poder de decisão no impacto social

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Por Paula Sales

As mulheres sempre estiveram no centro do impacto social no Brasil. Estão nas comunidades, nos territórios, nas linhas de frente do cuidado, da escuta e da reconstrução de vidas atravessadas pela desigualdade. Sustentam iniciativas, articulam redes, mantêm projetos vivos mesmo em cenários de escassez. Ainda assim, quando observamos os espaços de tomada de decisão no terceiro setor, essa presença diminui drasticamente.

Há uma contradição silenciosa que precisa ser nomeada: as mulheres fazem o impacto acontecer, mas seguem sendo minoria nos lugares onde se decide o rumo dos recursos, das estratégias e das prioridades institucionais. Essa ausência não é fruto do acaso, nem da falta de competência. Ela é resultado de uma estrutura social marcada por desigualdades de gênero que atravessam também o campo social.

O terceiro setor não está isolado da sociedade que o constitui. Ele carrega, muitas vezes sem perceber, as mesmas hierarquias históricas que afirma combater. O cuidado base de grande parte das ações sociais foi culturalmente atribuído às mulheres e, por isso, pouco valorizado como competência estratégica. Já o poder de decisão, a gestão de recursos e a representação institucional foram, historicamente, associados ao masculino.

Essa lógica estrutural produz efeitos concretos. Mulheres encontram mais obstáculos para acessar financiamento, ocupar cargos de direção, integrar conselhos e serem reconhecidas como lideranças legítimas. Soma-se a isso a sobrecarga de múltiplas jornadas profissionais, familiares, comunitárias e emocionais que limita ainda mais as possibilidades de permanência e ascensão nos espaços de poder.

Ainda assim, quando mulheres lideram, os impactos são profundos. Elas tendem a construir organizações mais conectadas ao território, mais colaborativas e comprometidas com soluções de longo prazo. Não se trata de uma liderança melhor ou pior, mas de uma liderança que nasce da escuta, do cuidado e da experiência concreta com as desigualdades que se busca enfrentar.

Reconhecer essa realidade não é acusar indivíduos, mas questionar estruturas. É compreender que a desigualdade de gênero no terceiro setor não será superada apenas com boa vontade, mas com intencionalidade. É preciso revisar práticas, abrir espaços, redistribuir poder e reconhecer que diversidade nas decisões fortalece o impacto.

Se desejamos um terceiro setor mais justo, diverso e comprometido com mudanças estruturais, precisamos enfrentar também suas próprias contradições. Precisamos de mais mulheres participando de conselhos, coordenando estratégias, assinando decisões e influenciando políticas de impacto social.

Precisamos de mais mulheres com poder de caneta. Precisamos reconhecer que fortalecer lideranças femininas não é concessão é estratégia de transformação.

Dar visibilidade a essas vozes é um passo fundamental para que o impacto social no Brasil seja, de fato, coerente com os valores que defende. Porque não há justiça social possível sem equidade de gênero nas decisões que moldam o presente e o futuro.

As mulheres sempre estiveram no centro do impacto social no Brasil. Estão nas comunidades, nos territórios e nas linhas de frente do cuidado, da escuta e da reconstrução de vidas atravessadas pela desigualdade. Sustentam iniciativas, articulam redes e mantêm projetos vivos mesmo em cenários de escassez. Ainda assim, quando observamos os espaços de tomada de decisão no terceiro setor, essa presença diminui.

Há uma contradição que precisa ser nomeada: as mulheres fazem o impacto acontecer, mas ainda são minoria onde se decide o destino dos recursos, das estratégias e das prioridades institucionais. Essa ausência não é falta de competência, mas resultado de estruturas sociais marcadas por desigualdades de gênero.

O terceiro setor não está isolado da sociedade. Muitas vezes, reproduz as mesmas hierarquias que afirma combater. O cuidado, base de grande parte das ações sociais, foi culturalmente atribuído às mulheres e pouco valorizado como competência estratégica. Já a gestão de recursos, o poder de decisão e a representação institucional foram historicamente associados ao masculino.

Essa lógica produz efeitos concretos: mulheres enfrentam mais obstáculos para acessar financiamento, ocupar cargos de direção, integrar conselhos e serem reconhecidas como lideranças. Soma-se a isso a sobrecarga das múltiplas jornadas profissionais, familiares, comunitárias e emocionais.

Quando mulheres lideram, porém, novas perspectivas ganham espaço. São organizações mais conectadas aos territórios, colaborativas e comprometidas com soluções de longo prazo. Não se trata de uma liderança melhor ou pior, mas de reconhecer a diversidade de experiências que fortalece as decisões.

Superar essa desigualdade exige intencionalidade: revisar práticas, abrir espaços, redistribuir poder e ampliar a presença feminina em conselhos, estratégias e decisões.

Precisamos de mais mulheres com poder de caneta. Fortalecer lideranças femininas não é concessão: é estratégia de transformação.

Não há justiça social possível sem equidade de gênero nas decisões que moldam o presente e o futuro.

Paula Sales é assistente social, empreendedora social, escritora e palestrante. Fundadora da Pazziti Treinamento, atua no desenvolvimento de pessoas, lideranças e organizações com foco em terceiro setor, ESG, diversidade, empreendedorismo e impacto social. 

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